Ogunté no Rio Sagrado (2021)
Jean dos Anjos

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Ogunté no Rio Sagrado – Guerra e Território

Peço licença aos Povos do Mar

Conta-se em um itan contemporâneo que a força do sistema capitalista, dos homens gananciosos, tem destruído toda a natureza. Na beira do mar, constrói-se complexos industriais, portos e espigões para atender a interesses financeiros e destruir comunidades de pescadores que vivem do sustento do mar.

Iemanjá é a mãe cujos filhos são peixes. Na qualidade de Ogunté, Iemanjá é uma guerreira incansável que luta junto a Ogum e compartilha, com ele, a experiência da guerra. Na Nigéria, de onde veio, Iemanjá é força geradora a partir do Rio Ogum. No Brasil, aonde chegou, Iemanjá se encantou com a força do mar e, por ele, é invocada.

Icaraí significa, em Tupi, Rio Sagrado. No Ceará, a Praia de Icaraí fica na cidade de Caucaia, território onde vive o povo indígena Tapeba. Ogunté, o mar em guerra, tem avançado sobre o Rio Sagrado e não há quem a contenha. Porque sua força, ao dançar seu òro, é implacável.

Não se represa o mar. Não se aterra as marés. Nem a força do perverso capitalismo prende a água. Em algum momento ela explode destruindo o que está a sua frente. A guerra é uma consequência. Nas culturas tradicionais, indígenas e africanas, somos parte da natureza e a respeitamos como território sagrado. Porque nossos corpos, feitos de água e terra, são sagrados.

Salve a Força das Águas!

Odoyá!

Ogunté!

Jean dos Anjos

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Jean dos Anjos

Macumbeiro, artista, antropólogo. Nascido e criado em Fortaleza, no Ceará. Participou do Salão de Abril, dos Encontros de Agosto, do Fotofestival Solar, entre outras exposições. Participou da Temporada Formativa da Escola Porto Iracema das Artes, em 2019. É pesquisador do Laboratório de Antropologia e Imagem (LAI/UFC). Está doutorando no PPGS da Universidade Estadual do Ceará (UECE).